Estávamos muito em dúvida sobre passar ou não pela famosa Ruta dos Sete Lagos, que liga Villa La Angostura a San Martin de Los Andes. Outras pessoas nos tinham dito que havia muitas cinzas de vulcão (o Puyehue entrou em erupção no ano passado e descarregou toneladas de cinza sobre a região dos lagos) e a paisagem tinha sido muito prejudicada. Para piorar a situação, tinha chovido bastante no dia anterior e por informações que obtivemos, poderíamos pegar barro nos trechos de rípio da rota. Por um instante, pensei em desistir e depois lembrei de um amigo que segue a doutrina de não desistir sem tentar. Valeu Flamel! Fomos nós, eu e a Jo, para a Ruta dos Sete Lagos. Poucos quilômetros depois de Villa La Angostura, após algumas belas paisagens, tomamos o rípio. Estava mesmo um pouco escorregadio e mereceu bastante de nossa atenção. Nada como o trecho de Bajo Caracoles, mas fomos com cautela. A paisagem não estava como nas fotos das revistas de viagens. A atividade vulcânica é da natureza, mas é lastimável ver que o verde das árvores se perdeu e os rios que deveriam ter água translúcida agora estão turvos. Mas imagino que logo a beleza será restaurada. É uma região já acostumada aos castigos vindos do centro da terra. Depois dos 30 quilômetros de rípio, tudo começou a mudar e pudemos presenciar belas vistas. E aproveito para, entre parênteses, dizer que são muitas, muitas fotos que ficam salvas apenas na nossa memória. Viajar de moto é assim mesmo.
Talvez tenhamos sido mal acostumados pelo que vimos em El Chaltén ou no lago General Carrera e, por isso, a Ruta dos Sete Lagos não nos causou tanto impacto visual. Pode ser que daqui a alguns anos, quando toda a cinza tiver sido “lavada”, a história mude.
Ao final da Ruta, chegamos a San Martin de Los Andes. Foi muito bom termos sido surpreendidos positivamente, ao contrário do que aconteceu em Bariloche. San Martin é uma cidadezinha dessas que dá vontade de não sair. À beira do lago Lácar, tem as ruas muito bem divididas, casas e lojas em madeira e muitos restaurantes. Pena o tempo estar um pouco nublado, mas ainda assim pudemos curtir o lugar. Dormimos lá de ontem para hoje. Cedo, saímos com destino a Santa Rosa. Um desvio inesperado nos fez aumentar um pouco a distância. Talvez, não por acaso, para nos proporcionar, mais uma vez, um magnífico pôr-do-sol nas planícies argentinas. Os pores-de-sol aqui são especialíssimos porque, como tudo é plano até onde o olho alcança, a luz do sol, em seus últimos suspiros, chega quase paralela ao chão. É um espetáculo de luzes, cores e sombras que não costumamos ver no Brasil.
Amanhã seguiremos para Buenos Aires e reencontraremos o Flamel e a Patrícia. Hoje completamos 28 dias de estrada.






Fantástica a viagem! Alguns perrengues como em toda aventura. Isso dá o tom e fortalece as lembranças!
ReplyDeleteAbs dos colegas aventureiros www.brtrips.blogspot.com
Renata
Se são essas as fotos que fizeram fico me perguntando o que só podem guardar na memória! Cada dia mais fascinante essa viagem! Abraço Jo e Dante!
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