Wednesday, February 29, 2012

Despedida da Patrícia


Ontem nos despedimos da legionária “rubia”. O trabalho começa mais cedo para ela.
Já estou até com saudades da minha parceira de aventuras. Por trás daquele rosto angelical, existe uma mulher forte e valente!
Foram dias e dias de viagem e convivência. Milhares de quilômetros percorridos com nossos amores e nunca vi tanta disposição e paciência. A Patrícia é do tipo de pessoa que topa tudo.
- Patrícia, vamos dormir no acostamento enquanto eles lubrificam a corrente das motos?
- Vamos!
- Vamos, Patrícia, aprender o tango lá no palco?
- Lógico! Dizia ela prontamente.
- Quero dançar até de manhã, topas?
- Topo!
- Paty, acho que vamos dormir ao relento.
- Seria melhor do que continuar na estrada desse jeito.
Alegria, sorrisos, lágrimas, tensões... E ela cuidou de mim quando mais precisei.
Pela manhã, chorei ao lembrar da Patrícia “soneca”, que adormece em qualquer lugar e que quando começa a rir, não pára mais. Ria até quando o único lanche era uma manga na beira da estrada.
Hoje no almoço, como não poderia deixar de ser, pedimos bife de chorizo (MAL PASSADO!), o seu prato predileto.
Ciao Ciao bela Patrícia! Em breve nos veremos para relembrar muitas histórias e morrer de rir juntas mais uma vez.
Agora somos três. A partir de amanhã, iniciaremos a volta ao Brasil. Flamel, Dante e eu, em mais uma aventura de aproximadamente 3.000Km até a nossa casa, em Belo Horizonte.
Fiquem conosco amigos, até o nosso regresso!





































 













































Tuesday, February 28, 2012

A Buenos Aires - Back to reality...


O caminho até Bariloche é realmente lindo! Muitas curvas (finalmente), montanhas nevadas e uma vista maravilhosa. Paramos para tirar as fotos na placa da ruta 40 e decidimos almoçar. Tábua de defumados, com carne de cervo, cordeiro e javali, mais patês azeitonas e muito da culinária que eles chamam de Cocina Criolla Argentina. Interessante... Ao chegarmos em Bariloche, o tempo estava muito fechado... Fizemos o passeio ao Cerro Catedral com chuva! Não pudemos ver a metade da paisagem que seria possível por causa das cinzas do vulcão que chegaram com o vento nordeste. Bom... mesmo assim o passeio foi muito bacana! Tudo que é aventura é com a gente mesmo! Passeamos pela cidade e fomos em ótimos restaurantes, incluindo show e aula de tango!!! Além disso, curtimos muito o hotel que contava com piscina, sauna e área de relaxamento. Tudo que a gente precisava depois de tanta estrada nas costas... Por fim, eu e o Flamel conversamos e achamos melhor chegarmos mais cedo em Buenos Aires, para não correr riscos, já que eu teria que pegar o avião no dia 29... Isso mesmo... Minha viagem infelizmente chegará ao fim um pouquinho antes do que o restante do grupo. O motivo é que eu tenho que voltar ao trabalho no dia primeiro! O que não é nada mal, já que é pra mim um outro sonho que se realiza!... Partimos de Bariloche até Vila La Angostura, onde almoçamos todos juntos e partimos para Neuquèm. A cidade é bem convencional e bem caótica pra quem acabou de sair da Patagônia... Pegamos um hotel bem simples e seguimos bem cedo no dia seguinte. Deveríamos percorrer 1200 Km até Buenos Aires em um dia! Mas correu tudo bem... A estrada é ótima e, sem os ventos, conseguimos chegar nos arredores de Buenos Aires às 21:30h, quando demos de cara com um engarrafamento!!! 22:30h no hotel... Ufa! Bife de Chorizo, vinho e cama...Ontem fomos passear pela cidade, com um pouquinho de chuva, e já com um gostinho de despedida... Agora é voltar com os pés para o chão e encarar os preparativos para o retorno...
















As verde-águas!

Você já parou pra pensar que a água não é verde-água? Pois então... parece que aqui ela é! Fiz questão de escolher algumas fotos das paisagens mais perfeitas com águas de cores inimagináveis para retratar um pouquinho da beleza que vivemos aqui...

Fotos:
1: El Calafate
2: Caminho de El Calafate a El Chaltén - vários lagos no meio da paisagem desértica!
3: Rio Blanco na trilha para ver o Fitz Roy
4, 5 e 6: Lago de Los Tres
7, 8, 9 e 10: No caminho de Chile Chico a Puerto Tranquilo, o Lago General Carrera
11, 12, 13, 14 e 15: O Lago General Carrera mais de perto, nas Capillas de Màrmol
16: Rio Rincòn, a caminho de Buenos Aires.

Inesquecível! 


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Monday, February 27, 2012

Villa la Angostura - San Martin de Los Andes - Santa Rosa

Estávamos muito em dúvida sobre passar ou não pela famosa Ruta dos Sete Lagos, que liga Villa La Angostura a San Martin de Los Andes. Outras pessoas nos tinham dito que havia muitas cinzas de vulcão (o Puyehue entrou em erupção no ano passado e descarregou toneladas de cinza sobre a região dos lagos) e a paisagem tinha sido muito prejudicada. Para piorar a situação, tinha chovido bastante no dia anterior e por informações que obtivemos, poderíamos pegar barro nos trechos de rípio da rota. Por um instante, pensei em desistir e depois lembrei de um amigo que segue a doutrina de não desistir sem tentar. Valeu Flamel! Fomos nós, eu e a Jo, para a Ruta dos Sete Lagos. Poucos quilômetros depois de Villa La Angostura, após algumas belas paisagens, tomamos o rípio. Estava mesmo um pouco escorregadio e mereceu bastante de nossa atenção. Nada como o trecho de Bajo Caracoles, mas fomos com cautela. A paisagem não estava como nas fotos das revistas de viagens. A atividade vulcânica é da natureza, mas é lastimável ver que o verde das árvores se perdeu e os rios que deveriam ter água translúcida agora estão turvos. Mas imagino que logo a beleza será restaurada. É uma região já acostumada aos castigos vindos do centro da terra. Depois dos 30 quilômetros de rípio, tudo começou a mudar e pudemos presenciar belas vistas. E aproveito para, entre parênteses, dizer que são muitas, muitas fotos que ficam salvas apenas na nossa memória. Viajar de moto é assim mesmo.

Talvez tenhamos sido mal acostumados pelo que vimos em El Chaltén ou no lago General Carrera e, por isso, a Ruta dos Sete Lagos não nos causou tanto impacto visual. Pode ser que daqui a alguns anos, quando toda a cinza tiver sido “lavada”, a história mude.

Ao final da Ruta, chegamos a San Martin de Los Andes. Foi muito bom termos sido surpreendidos positivamente, ao contrário do que aconteceu em Bariloche. San Martin é uma cidadezinha dessas que dá vontade de não sair. À beira do lago Lácar, tem as ruas muito bem divididas, casas e lojas em madeira e muitos restaurantes. Pena o tempo estar um pouco nublado, mas ainda assim pudemos curtir o lugar. Dormimos lá de ontem para hoje. Cedo, saímos com destino a Santa Rosa. Um desvio inesperado nos fez aumentar um pouco a distância. Talvez, não por acaso, para nos proporcionar, mais uma vez, um magnífico pôr-do-sol nas planícies argentinas. Os pores-de-sol aqui são especialíssimos porque, como tudo é plano até onde o olho alcança, a luz do sol, em seus últimos suspiros, chega quase paralela ao chão. É um espetáculo de luzes, cores e sombras que não costumamos ver no Brasil.

Amanhã seguiremos para Buenos Aires e reencontraremos o Flamel e a Patrícia. Hoje completamos 28 dias de estrada.







Saturday, February 25, 2012

Mudança de planos.

Durante boa parte de nossa viagem, uma das preocupações mais frequentes foi o combustível. Por várias vezes, lá estávamos nós fazendo contas para saber se daria para chegar ao próximo posto, se era necessário carregar gasolina extra, etc. Um dos muitos viajantes motociclistas que encontramos pela estrada vinha do Chile, tinha acabado de percorrer a Carretera Austral. Ele nos disse que, no Chile, não havia problema de abastecimento como na Argentina. Não foi bem assim. Em Puerto Tranquilo, descobrimos que há um grave problema de abastecimento no Chile, em quase toda a extensão da Carretera Austral. O motivo é uma manifestação da população em que reivindicam, entre outras coisas, subsídio do governo para o combustível, melhores condições de saúde e educação. Fomos pegos de surpresa por essa manifestação e por alguns instantes, pensamos estar ilhados. Um oficial da polícia rodoviária chilena (os carabineros), chegou a nos dizer que não seria possível voltar por onde viemos e também não daria para prosseguir em direção a Coyhaique, o nosso destino pretendido. Segundo ele, as vias estavam fechadas. Tínhamos uma opção de passar por uma outra fronteira, menos movimentada, de volta à Argentina. Mas a gasolina não seria suficiente para essa manobra. Quando chegamos a Puerto Tranquilo, eu tinha ainda uma autonomia para uns 140 km. O Flamel, com tanque quase cheio e moto mais econômica, poderia rodar bem mais, mas ainda seria arriscado. Decidimos então tentar voltar pelo mesmo caminho. Não foi fácil chegar a um consenso, porque apesar de ser uma estrada com visual lindo, é toda de rípio e em alguns trechos, bem trabalhosa. A distância a percorrer: 180km. Combinamos que se eu não conseguisse chegar, o Flamel iria na frente e buscaria combustível, ou então dividiríamos o que estava no tanque dele. Saímos. Eu pilotando a moto da forma mais econômica possível, tratando o acelerador com o maior carinho. Imaginávamos que encontraríamos a primeira barricada dos manifestantes a poucos quilômetros do vilarejo. A tensão estava alta. Na encruzilhada da Carretera com a 265, não havia nada. Passamos batidos. Em uma rápida parada em Puerto Guadal, consegui comprar quatro litros de gasolina de um morador local, o que me deixou mais tranquilo. Enfrentamos todo o caminho de volta e faltando poucos metros para a chegada em Chile Chico, já estávamos confiantes que chegaríamos à fronteira sem problemas. Infelizmente, lá estavam os pneus queimando na estrada. Paramos próximo, com postura séria e ao mesmo tempo respeitosa. Logo fomos abordados por um manifestante dizendo que não poderíamos passar. Conversamos, argumentamos ser brasileiros apenas em passagem, mas sem sucesso. Ainda era dia e nos informaram que à meia noite abririam o caminho. Não tivemos outra opção, senão esperar. Os manifestantes nos autorizaram passar com a bagagem e foi o que fizemos, com apoio da polícia. Na verdade, foi um episódio estranho e hilário. A polícia nos deu carona em um carro oficial até uma pousada próxima. Nesse dia, ficamos em Chile Chico. A contra-gosto, mas no fim, ficou tudo bem. Até conseguimos passar as motos antes do previsto. No dia seguinte, deveríamos seguir em direção a Bariloche, e mais uma vez, soubemos que teríamos problemas com falta de combustível. É incrível como isso é comum por aqui. Sem falar que, muitas vezes, os postos são grandes, com várias bombas, mas só um frentista atende. Formam-se grandes filas e a população parece já ter se acostumado com isso. Enchemos nossos tanques e também os recipientes de combustível extra e seguimos. À noite, paramos em El Bolsón, depois de encarar mais um bom pedaço da mítica Ruta 40, com todos os seus desafios. El Bolsón é uma cidade pequena, mas bastante voltada ao turismo. Ficamos lá praticamente só para dormir e no dia seguinte saímos para Bariloche. A chegada à cidade pelo sul é bem decepcionante. Ruas sujas, carros velhos, muita poeira, casas e comércio mal cuidado, etc. Todos tínhamos uma imagem na cabeça que de forma alguma correspondeu à realidade. Depois fomos descobrir que chegando pelo aeroporto, a situação é bem diferente. Essa é uma das coisas legais de viajar de moto. A gente não fica preso ao circuito de turismo de massa. Vemos e sentimos melhor a essência de cada lugar. Em Bariloche são tantos brasileiros que já cogitam mudar o nome para Brasiloche. Ficamos em um bom hotel, com algumas mordomias que nem parecem ser para motociclistas imundos como nós. Desde o perrengue na ruta 40, nossas calças e jaquetas estão em estado lastimável! Ontem fomos visitar o famoso Cerro Catedral, uma montanha bem conhecida pelos amantes do esqui. Como estamos no verão, não havia neve, mas estava muito frio. Especialmente por causa do vento. À noite, saímos, comemos muito bem, tomamos um vinho e curtimos um pouco a cidade. É um lugar bem desaconselhável para quem está de regime. Os chocolates, sorvetes são irresistíveis. Sem falar na culinária local que inclui o gorduroso (e delicioso) bife de chorizo, as parrillas, trutas e salmão.

Por fim, estamos em Villa La Angostura. Um vilarejo tão quão ou mais charmoso que Bariloche, perdido entre montanhas e lagos. Flamel e Patrícia seguiram para Neuquén depois de termos almoçado todos juntos. Daqui a 3 dias nos reencontraremos em Buenos Aires. Hasta la vista, amigos!